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Faroeste de Pedra - Espaço aberto - é o lugar que encontrei para comentar as várias coisas do cotidiano que parecem valer um apontamento. Enjoy!

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domingo, 21 de março de 2010

A expressão de uma época



"Todo mundo espera alguma coisa /de um sábado a noite..."

A música composta por Lulu Santos já serviu de embalo para muitos casais e jovens que saíram pra curtir o que uma boa noite de farra, festa, bebedeira, amor ou boêmia pode oferecer. Hoje, em um sábado que choveu o suficiente para desmarcar compromissos e fazer valer o direito de ficar em casa, o dia parecia não oferecer grandes perspectivas para a noite.

Para piorar, a programação da televisão não agradava, o computador queimou e, por causa do temporal, faltou energia elétrica. A solução foi apelar para uma boa leitura. Abri, diga-se de passagem, despretensiosamente o livro com o qual presenteei minha namorada no último natal: Os Sonhos não envelhecem, assinado pelo escritor e compositor Márcio Borges. Que fique claro aqui que nunca me interessei como deveria pela música. Longe de ser um entendedor, muito menos um artista (não sei nem bater palmas no ritmo das músicas), o pouco que conheço de música fica restrito às indicações de amigos e irmãos, sendo que muito raramente me dou ao trabalho de procurar conhecer algo mais sobre qualquer obra. Mas, voltando ao livro, ao terminar o primeiro capítulo, ele já havia conquistado minha atenção. 140 páginas depois, sem interrupções, parei para descansar um pouco a cabeça e assimilar todo o conteúdo, antes de dar seguimento ao que promete ser uma madrugada de pura leitura. E não resisti a vir comentar o fato.

Márcio Borges, irmão de Lô Borges e, praticamente, de criação de Bituca (ou, como é mais conhecido, Milton Nascimento) narra a tragetória de um grupo que marcou época na música brasileira: O Clube da Esquina. Sem entrar em mais detalhes, pois nem isso seria muito possível, visto que apenas alcancei o primeiro terço da leitura, já é possível concluir que é leitura indispensável tanto para quem gosta de música quanto para quem dela nada entende.

Lulu Santos acertou mais uma vez, quando, na continuação da música, nos apresenta ainda sua conclusão:

"...Sábado a noite tudo pode mudar."

Nesse sábado a noite, quem mudou fui eu. E também a minha visão sobre um dos mais importantes episódios da música brasileira.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Jornalismo é para quem tem estômago

Nessas últimas duas semanas de férias, tenho pensado muito sobre o caminho que a faculdade me leva. Jornalismo, edição, produção... coisas que a gente vai descobrindo. Ontem, grata surpresa, fui presenteado com um livro (A arte de fazer um jornal Diário) do excelente Ricardo Noblat, que contém uma citação que serve um pouco para ilustrar o que se pode esperar após uma faculdade de jornalismo. Porém, considerando, serviu também para me lembrar um pouco de porque escolhi esse caminho.

"Pois o jornalismo é uma paixão insaciáve que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realiade.
Ninguém que não a tenha sofrido, pode imaginar essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida.
Ninguém que não a tenha vivido pode conceber, sequer, o que é essa palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo das premícias, a demolição moral do fracasso.
Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte"
(G. G. Marquez)

E vale a máxima, a melhor notícia é sempre aquele que ainda não foi publicada!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

RECORTE

O sonho atravessou um milênio voando e deixou em mim apenas a sensação do todo.
[...]aprenderam a mentir e tomaram o amor como a mentira e conheceram a beleza da mentira. Ah, isso talvez tenha começado inocentemente, por brincadeira, por coquetismo, por um jogo de amor, na verdade, talvez, por um átomo, mas esse átomo de mentira penetrou no coração e lhes agradou. Depois rapidamente nasceu a volúpia, a volúpia gerou o cíume, o cíume a crueldade... [...] Começaram as acusações, as censuras. Conheceram a vergonha e a vergonha erigiram em virtude. Nasceu a noção de honra. [...]
Começou a luta pela separação, pala autonomia, pela individualidade, pelo meu e pelo teu. Passaram a falar línguas diferentes. Conheceram a dor e tomaram amor pela dor, tinham sede de tormento e diziam que a verdade só se alcança por tormento. [...]
Mal se lembravam daquilo que perderam, não queriam se lembrar nem mesmo que um dia foram inocentes e felizes. Riam até da possibilidade de um passado assim para sua felicidade, e o chamavam de ilusão. Não conseguiam sequer concebê-lo em formas e imagens, mas coisa estranha e maravilhosa: privados de toda a fé numa felicidade superior, chamando-a de conto da carochinha, quiseram a tal ponto ser inocentes e felizes de novo que caíram diante dos desejos de seu coração como crianças. [...]
E, no entanto, se pelo menos fosse possível que eles voltassem àquele estado inocentes e feliz do qual se privaram, e se pelo menos alguém de repende o mostrasse a eles de novo e lhes perguntasse: querem voltar? - eles certamente recusariam. Respondiam-me: "E daí que sejamos maus e injustos, sabemos disso e deploramos isso, e nos afligimos por isso a nós mesmos, e nos torturamos e nos castigamos, [...]mas temos a ciência, e por meio dela encontraremos de novo a verdade, mas dessa vez a usaremos consientemente, o entendimento é superior ao sentimento, a consciência da vida é superior a vida - o conhecimento das leis da felicidade é superior a felicidade."

(Dostoiévski, F. - Duas narrativas fantásticas; O sonho de um homem ridículo.)